Qualquer tempo livre é bem aproveitado quando o sujeito tem dinheiro ou no minimo meios de se locomover. Mas qualquer tempo, livre ou não, é sempre bom quando temos amigos. Eu estou de férias, e como estava e estou sem recursos, as férias não prometiam ser muito boas. Mas Deus é grande, e nem tudo se perdeu. Nessas últimas semanas passei alguns dias na casa de um amigo, o que me permitiu conhecer outras pessoas e eventualmente, fazer alguns passeios. Ele mora em uma cidade pequena, em um bairro que é praticamente um sítio. Um lugar lindo. Ele mora no alto de uma colina, rodeada de mata. Tirando as aranhas armadeiras, que de acordo com meu primo, são muito astutas e violentas, a casa dele é um viveiro ao ar livre de aves. Gralhas azuis, beija-flores de várias espécies, cambaxirras, pombas-rolas, e inclusive tucanos. Eu não vi, pela graça de Deus, as armadeiras. E infelizmente, também não vi os tucanos. Também vi muitas aves cujo nome desconheço.
Mas não ficamos apenas ali. Em uma manha nublada fomos passear no interior de uma cidade vizinha, com menos de 8 mil habitantes. Adentramos o interior das matas, cortadas por rios limpissimos. Tentamos pescar, mas não conseguimos. Mesmo assim tudo era muito bonito, muito selvagem, muito exuberante. As pequenas povoaçoes eram de agricultores. Roças de milho e tomate eram as mais comuns. Recentemente uma enchente destruira muitas dessas plantaçoes,
derrubando até alguns pontilhões, o que limitou um pouco nosso passeio, mas não o nosso prazer.
Ao entrarmos nessa cidade, um momento, para mim, muito emocionante: em uma grande árvore, até que enfim vejo dois tucanos pousando.
Amo shoppings, adoro uma compra, sou louco por supérfluos e não existe sentido em viver uma vida sem os confortos da tecnologia. Banho quente, ar condicionado, geladeira, televisao e dvd player, computador e internet são generos de primeirissima necessidade. Além, claro, do luxo e do glamour das roupas caras, das joias coriscantes, dos perfumes inebriantes. Eu não consigo viver sem. No caso das joias, eu não consigo viver sem admira-las, porque não tenho sequer um anel de strass. Quanto as roupas caras, tenho uma pecinha ou outra que guardo para as ocasioes em que é necessário não parecer tao pobre. Sobretudo as festas cheias de viados, que nos olham dos pés à cabeça.
Mas luxo e glamour não é só isso. Ou melhor. Não só isso é luxo e glamour.
Ter o privilegio de acordar em uma casa rodeada de flores, arvores e aves, não é para qualquer um não. Tudo bem que a piscina era de plástico, mas isso ninguém viu, ninguém tirou foto. Não há provas desse detalhe pobre.
Ter uma natureza semi – selvagem tao pertinho, com tucanos e afins pousando em arvores, isso é fantastico. Agora, ter tudo isso: natureza feérica à mão e aos olhos, e ainda alguns shoppings com grifes e mais grifes... ai, daí é muita sorte mesmo: quando faltar dinheiro, é só se enfiar no mato. E como a minha pobreza é sazonal, há sempre as epocas de se entregar ao consumismo, já que tive a sorte de não nascer em Cuba ou na Coreia do Norte: é uma montanha russa emocional.
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