quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Amor

Assim como os laços familiares, o amor também não é essa coisa imediatamente tão intensa e arrebatadora. O que as pessoas chamam de amor, é, via de regra, vontade de fazer sexo e vaidade. Nada mais. E isso sim é arrebatador.
Os cientistas afirmam que o amor dura alguns anos, pois que é fruto de reações químicas do organismo, que aos poucos deixam de acontecer. Na verdade, é exactamente o oposto. O amor, o amor de verdade, esse só surge anos depois. Essas sensações tão sublimes, tão desorientadoras, tão fortes, nada mais são do que desejo e vaidade, ou seja, egoísmo puro. Queremos bem à pessoa em questão porque é através dela que saciaremos nossa volúpia carnal, a nossa carência afectiva, e socialmente, reestabelecemos laços. Há ainda a vaidade: apresentar alguém belo e desfilar com uma pessoa bem sucedida nos enche de orgulho e nos deixa ciosos de nossas próprias capacidades.
Para saber se amamos, temos que esperar passar tudo isso. Prazer sexual, vaidades, sensação de sucesso, tudo isso passa. Se não sobrar mais nada, certamente não era amor. Mas se mesmo depois do sexo não ser assim mais tão deslumbrante, o sujeito ter perdido aquele emprego maravilhoso, a pessoa ter perdido o viço da beleza, se mesmo assim você quer permanecer ao lado dela, fazendo-lhe (não apenas querendo ) o bem , daí sim, talvez seja amor. Caso contrário, é mais uma dessas paixões com vencimento exíguo, que por ser mal entendida, normalmente é mal aproveitada.

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