quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fazendo o Social

Tudo o que envolve o tal do “social” já me deixa alerta. Quando se trata então de projeto social, a gente já sabe o que vem por aí.
A maioria desses auto – intitulados projetos sociais são ongs que querem tirar aquele quinhaozinho de verba do governo, governo esse que tem um carinho especial por tudo o que se trata de “social”.
Falando dos projetos ligados às crianças, a coisa se degenera de vez.
É sempre a mesma coisa. A mesma ladainha. É a tal da inclusão.
As crianças comem, ficam o dia inteiro no local, ou moram no projeto e recebem educação.
Educaaão do jeito deles, claro.
Aula de circo, aula de capoeira, aula de dança, de canto, de reciclagem, aquelas coisas todas que estamos acostumados.
É tudo muito bonito, mas nem tudo que é bonito tem serventia.
Para que aula de circo?
Circo, por si só, é uma coisa chatíssima. Um atentado ao bom gosto e à inteligência.
Animais se balouçando, globo da morte, trapezistas, mágicos, palhaços. Dá até um nervoso só de lembrar dessa bobageira toda.
Existem agora os circos chiques, como o Du Soleil.
Chique mas tão tolo como os antigos circos espanhóis ou russos.
Não há meios de tornar interessante e sofisticado qualquer espetáculo circense. Não há.
Voltemos aos projetos sociais.
Outra coisa muito comum é o apego ao folclore, às tradições negras, caboclas, indígenas, caiçaras...
Daí as crianças aprendem capoeira, aprendem a fazer cestinho com fibra de coqueiro, aprendem a fazer um monte de coisas. Mas aprendem a fazer tudo pela metade, meia boca.
No fim das contas tudo isso que elas aprendem não servirá para nada.
Bom mesmo são os projetos socias que fazem os descamisados porem a mão na massa. Desde cedo ensinam que infelizmente uns tem que penar mais do que outros, trabalhando mais e ganhando menos. Desigualdade sempre existirá e não significa exatamente injustiça social.
Nos projetos sérios, as pessoas aprendem oficios realmente úteis: se tornam mecânicos, eletricistas, cabelereiros, costureiras e por aí vai. E aprendem que terão que trabalhar, trabalhar duro.
Mas os projetos avacalhados preferem inserir os infelizes no mundo da arte.
Isso nunca dá certo. Primeiro porque arte não é para qualquer um.
Segundo, porque arte do Brasil é qualquer coisa, menos arte.
O sujeito caga no palco e diz que é teatro de vanguarda.
O sujeito joga tinta feita com sementes da Amazônia numa tela e diz que é arte contemporêna.
Uma amiga queria me apresentar um amigo dela... um artista. Pedi o nome e pesquisei. Achei um vídeo dele, uma perfomance...Ele se despia e se deitava no chão do quintal e arrancava coisas e punha sobre o corpo. Oras, o que eu vou querer com um cara que fica pelado na frente do vídeo, se deita na graminha e começa a colocar gravetos e matinhos em cima do proprio corpo? O que, me digam? Eu creio que ele queria manifestar sua visão sobre a relaçao do homem com a natureza, a integraçao etc etc etc. Ele tem é que se integrar com o diabo, para ver se fica menos tolo, menos cretino.
Essas pessoas que passam meses, anos, nesses projetos, aprendendo a dançar, a cantar, a pintar e etc não conseguem ganhar um real com isso. No máximo tornam-se monitoras do proprio projeto. A questão não é de ordem moral, intelectual ou pedagógica. É questão prática mesmo.Tem que ensinar ao sujeito maneiras dele ganhar dinheiro, dele fazer algo de útil.
A questão do esporte é outra temeridade.
Esporte é esforço, mas também é talento.
E depende de sorte.
Sustentar-se e a uma família como mecânico, cabelereiro, esteticista, pedreiro, costureira e afins, não depende de sorte, nào depende de um dom ou de um talento ímpar. Depende de esforço, dedicação e trabalho.
Mas quando se enfia na cabeça dessas pessoas que elas são pobres porque os ricos nào as querem ricas, isso sim estraga tudo.
Riqueza nào é sinonimo de felicidade, mas pobreza muito menos.
Mas se há uma receita para que as pessoas cresçam na vida, essa receita inclui esforço próprio e trabalho.
Muitas vezes só isso não é suficiente, porque faltam as oportunidades.
Mas com certeza sem isso, as oportunidades podem abundar, que a pessoa nunca sairá do lugar.

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