domingo, 10 de janeiro de 2010

O atraso do índios

Tem gente que acha que índio não é gente. Ïndio é gente. Tem gente que acha que índio é retardado. Não é. Quer dizer, deve ter um monte de índio retardado, porque gente retardada tem aos montes em qualquer lugar.

O problema é que as pessoas confundem a cultura indígena com o índio em si. Põe um índio na cidade, a estudar, a ver cinema, teatro, parque de diversão, televisão, a ser assaltado e ser convidado pra swing, que rapidinho ele mostra o quão humano é.

Mas quem cuida dos indios não quer isso. Os políticos, etnólogos, antropólogos, geógrafos, sociólogos e o diabo acham mais bonito continuar vendo os indios comerem formiga, plantando mandioca do mesmo jeito quando Cabral chegou aqui, dançando e cantando pra chover, estiar e dar uma boa colheita. Daí o governo faz reservas de milhões de hectares para eles poderem viver assim, desse jeito atrasado.

É como se o pessoal do Sul tivesse que abandonar as máquinas e fazer só roupa em tear manual e no bilro porque isso é uma tradição dos açorianos. Ou que a gente tivesse que comer só pirão com peixe. A tradição pode ser preservada, mas não significa que a gente tenha que parar no tempo por causa dela. E os índios ainda estão nessa. Deixando o governo e os intelectuais escolherem por eles, mas no final das contas querendo tudo o que o homem normal quer: tecnologia, conforto, conhecimento. Como essa super proteçao não dá certo, acontece o quê? Uma parte da indiarada destroi a mata pra ganhar uns trocos e uma outra parte vem pra cidade pra pedir esmolas e vender miniatura de onça e coruja em madeira. E tem a terceira parte que fica nas aldeias, comendo formiga e achando tudo muito bonito.

Os índios querem é ser tratados como cidadãos brasileiros e como tal, terem todas as oportunidades que aos cidadãos são oferecidas. Manter a tradiçao não implica em viver, geração após geração no atraso. Os ocidentais chegaram ao auge tecnológico e econômico guardando tradições e costumes herdados dos judeus, gregos, romanos e medievos mas nem por isso vivem como no Antigo Testamento ou na Idade Média.

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