
Eu já estive em asilos algumas vezes. Apenas em duas a minha visita fez alguma diferença para os idosos. Das outras vezes, fui apenas acompanhando alguém. Nas outras duas vezes, eu fui realmente para visitar. E visitei, e servi café, e abracei, e conversei, e ri com todos eles. Brinquei, falei besteiras, prestei atenção nas histórias. E foi, em 2009, as duas melhores coisas que eu fiz. Foi tão divertido. Não que ir dançar todo sábado não seja divertido. Mas é tão diferente quando todo o prazer envolvido é mútuo, recíproco, gratuito e espontâneo. Ir ao asilo não foi bom porque estava fazendo caridade. Foi bom porque foi bom: foi alegre, foi divertido, foi engraçado e também porque foi um ato de caridade. Mas só no final, na hora de ir embora, é que eu lembrei que o que eu estava fazendo era caridade. Mas eu penso o quão chato não deve ser fazer caridade por obrigação. Quero ver meus velhinhos novamente. Rir, conversar, ouvir, abraçar, fazer tudo de novo. Não porque queira um cantinho no céu. Mas porque essas pessoas me fizeram bem. Por fim, o que para muitos é um ato chato de caridade, para mim acabou virando um ato de pequeno egoísmo, por ir ver os velhinhos pensando no quanto eu vou me divertir.
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