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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Velhice

Quem não quer a velhice? Quase todo mundo quer. Mas de todas as coisas que a gente quer, a velhice é aquela que a gente prefere que venha por último. Com sorte, ela vem. E se tivermos com Deus, a velhice trará consigo paz, discernimento sabedoria. Claro que ser velho deve ter sua boa dose de chatice. As chances de ser um velhinho saudável e morrer igual a Lalinha, da novela Páginas da Vida, é uma dádiva para poucos. De resto, a velhice apaga nossos pecados, aplaca nossas iras, abranda nossos rancores. Eu não sei que tipo de velhinho eu serei. Nem sei se chegarei lá. Ou que é bem pior: não sei se chegarei à velhice antes da hora. Acho que não. A aparência, embora não seja bela, é ainda, aos 32 anos, vivaz como a de um molequinho. Isso ajuda. Se calhar de chegar à velhice na idade certa, espero que não tenha muitas dores, que já tenha me curado da febre reumática e que não arrume outras, e que respira bem, e ande bem também. E tenha uma memória regular e que morra, repetindo, como a Lalinha, numa cadeira, sem sequer pender a cabeça. Ou numa cama, dormindo, e que vá para o céu. Por que se há algo bom na velhice, deve ser essa aproximação com o Eterno.

Morte

Como havia dito, um amigo morreu. É estranho. É dolorido. Não sou espírita. O espiritismo tenta amenizar a dor da morte através de teorias bobocas. Como não acredito nessa palhaçada de reencarnação e cia, a morte me é sempre dorida, incomunicável e incomensurável. Custa acreditar que novas histórias realizar-se-ão e a pessoa querida que se foi não mais participará de nenhuma delas. Custa acreditar que estamos um pouco mais sós, um pouco mais desamparados. E doi saber que não seremos mais procurados para ser o bálsamo desse pessoa. Resta a memória. Mas a memória é falha. Além disso, a memória, nesses casos, recupera imagens, sons, mas traz com eles melancolia e tristeza e isso não é bom. Resta se conformar. Para quem é cristão, não há sequer o conforto dos espíritas de que no final das contas todos se reencontrarão. Resta sofrer e esperar por mais sofrimento, até o dia em que nós mesmos sejamos o motivo da dor alheia, ao deixarmos esse mundo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A morte impede carona

Ontem se enterrou (foi enterrado, aliás) um grande amigo. Entre a morte dele e os minutos finais do funeral, foram 24 horas. Geente, eu sou cristão.... mas pra que tanto tempo perdido? A pessoa morta deveria ser queimadinha atrás de casa, num forninho especial. Não sai caro. As cinzas poderiam ser jogadas por ali mesmo, para nutrir o solo. O problema é quem mora em apartamento, sob viaduto, na rua né? Ah, o governo faz um fornão bem grande e as cinzas restantes jogadas em jardins, florestas... menos nos rios e mares, por que poluem...e isso é coisa de indiano. Eu penso dessa maneira singela porque a gente perde muito tempo. Às vezes se tem um chá marcado, uma viagem, um caminhada e tem que parar tudo porque o finado está lá sendo velado ou enterrado.