A caridade é uma daquelas coisas das quais as outras pessoas nunca conseguem falar mal.
Mas a caridade não é uma verdade assim apodíctica.
Por trás de gestos nobres em favor dos necessitados podem estar ocultos motivos bem menos nobres.
Um deles é o de caráter politico. A caridade é uma excelente porta para candidatos se elegerem.
Outro motivo são as milionárias celebridades que para alivio de consciência ou polimento da imagem, gastam alguns níqueis em programas assistencialistas.
Madonna foi até bem longe: procurou e comprou algumas crianças para ter como filhos. Infelizmente não fui eu uma dessas felizes criaturinhas, não obstante ter que aturar Madonna como mãe, só mesmo a custa de milhões e milhões de dólares. Se bem que os meus pais não são exemplos de vida e eu não recebi um tostão para ser filho deles.
Outro motivo menos interesseiro mas não mais nobre é a pura vaidade.
O sujeito quer algum tipo de visibilidade. Mas o problema é que ele é medíocre.
Se ele escrever poemas, serão poemas ruins.
Se ele tentar ser ator, será canastrão.
Se tentar ser um crítico literário ou de cinema, só dirá obviedades.
Se ele tiver uma profissão, será competente, mas nunca brilhante.
A beleza não lhe foi pródiga.
O carisma se evadiu de sua personalidade.
A inteligência, se não é pequena a ponto de atrapalhá-lo, não é soberba a ponto de eleva-lo aos paroxismos da fama.
O que lhe resta então? A bondade. E essa bondade tem que se materializar. Por que assim poderá ser fotografada, documentada, comentada, imitada e admirada.
É isso que ele procura.
Quando essa caridade vem acompanhada de lições de moral, então pronto. É a pazinha de cal. A criatura é realmente um arrematado e medíocre vaidoso.
Ninguem consegue falar mal da bondade. Mas bondade é sentimento sincero. Não é construção articulada com fins de auto –promoção.
O sujeito não decide ser bondoso. Ele é ou não é bondoso.
Quando a caridade vem a reboque de toda uma afetação midiática e social,certamente não foram os bons sentimentos que fizeram a pessoa se desdobrar a amenizar os sofrimentos dos desvalidos. Foi a vaidade, o interesse, a mediocridade.
Já diz a Bíblia: o que uma mão faz a outra não precisa saber.
E digo eu: quem quer fazer o bem, sem olhar a quem, às vezes não olha a quem por tanto que olha para o próprio umbigo.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Falsas bondades.

Volta e meia aparece, na televisão, alguma homenagem a Cazuza. E invariavelemente a aparece a mãe dele como heroína mãe de herói.
Cazuza era um compositor e cantor de talento. Não era um gênio da música. E muito menos exemplo pra quem quer que seja.
Como músico, tinha qualidades, mas como ser humano, foi um dos grandes maus exemplos que tivemos.
Drogado e homossexual (certamente promíscuo), o legado da sua vida pessoal foi ter morrido precocemente de aids.
Sua luta contra o HIV, que muitos consideram um ato de coragem, não foi exatamente uma luta e tampouco um ato de coragem e de amor à vida.
Cazuza só assumiu que era aidético quando todos já sabiam. Ele aparentava todos os principais sintomas. Apenas traduziu em palavras a sua triste situação.
Ele cantou até o final de sua vida. E onde está o mérito disso? Oras, ele gostava de viver, e fez isso enquanto pôde. Gostava de viver não é mérito. É uma condição normal de quem nasce e vive. É instintivo. E no caso de Cazuza, uma vida de prazeres sem limites. Mas justamente por querer tudo o que julgava bom e prazeroso, acabou morrendo antes da hora.
Que Deus o tenha, embora ache bem dificil.
Mas essa nem é a parte chata da história.
Porque morreu, morreu. E no caso desse Cazuza, o máximo que deveria acontecer era a gente continuar ouvindo as cançòes dele.
Eis que Lucinha Araújo, movida pela amor materno, se torna a guardiã do legado de Cazuza. Pode coisa mais chata? Mãe chorona querendo transformar os erros do finado filho em méritos? Cazuza foi um irresponsável, um hedonista com algum talento musical. Só! Deu! Acabou!
Essa mulher, por manter uma entidade filantrópica que atendes crianças portadoras de HIV, o que é louvável e isso sim, exemplar, acha que tem o direito de usar sua caridade como justificativa para santificar o Cazuza. Não hai diabo que ature.
Ela fala de amor à vida, alegria de viver, rebeldia, sede de viver, etc etc etc como se a biografia do filho fosse uma sucessão de atos de amor à vida. Como se sair de casa ainda menor de idade pra poder fazer o que ele queria fosse amor à vida. Como se usar drogas fosse beber da fonte da vida. Como se ter uma vida sexual desregrada fosse uma rebeldia sadia. Ah, Lucinha... Faça o seu trabalho com as crianças soropositivas. É lindo. Mas pense nas crianças, soropositivas ou não. Você está vendendo a vida irresponsável do seu filho como um ideal de vida. Isso não se faz! A gente sabe que quase toda mãe é cega. Mas não queira cegar as outras pessoas com sua auto – ilusao sobre seu filho sem juízo.
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